Os livros de física do ensino médio muitas vezes
contam a história da física de uma maneira distorcida e equivocada de modo que
o aluno não compreende bem o ambiente histórico onde se desenvolve o fato
físico estudado. A bibliografia de muitos nomes da física é esquecida deixando
de lado a contribuição relevante que tal personagem desenvolveu no ramo desta
ciência.
O artigo que trás como título “Entrevista com
Tycho Brahe”, foi escrito em forma de diálogo, facilitando ao leitor a
compreensão da história de um dos maiores nomes da astronomia, os seus
trabalhos e suas medições precisas da posição dos corpos celestes, fizeram dele
o responsável pelas bases das leis do movimento planetário, pois com a precisão
de seus dados que foi possível estabelecer a mecânica celeste.
Tycho Brahe nasceu na Dinamarca, na cidade de
Skania, no ano de 1546, sendo criado por seu tio. Aos sete anos foi para uma
escola paroquial, estudar latim, e aos treze anos foi para a Universidade de
Copenhague, indo estudar Direito e Filosofia. Neste período de sua vida ele
pode presenciar um fenômeno que lhe intrigou bastante, um eclipse parcial do
Sol.
Tycho tinha uma paixão pela Astrologia, e achava
muito interessante o fato de certos movimentos celestes serem previsto com
antecedência. Com dezessete anos foi para Universidade de Leipzig continuar
seus estudos em Direito, mas seu interesse já estava voltado para os fenômenos
celestes. Nesta época ele observou que Júpiter e Saturno passaram muito perto
um do outro, todavia o que lhe incomodara era que todas as tabelas astronômicas
cometiam erros significantes e isto causava atraso na previsão dos fatos
astronômicos. Este fato se tornou uma das principais causas dele ter se tornado
um grande físico experimental, pois ele queria corrigir os erros existentes destes
dados. Assim ele começou a construir seus imensos e precisos equipamentos de
medição da posição dos corpos celestes para corrigir as tabelas astronômicas da
época.
Tycho teve acesso a grandes obras da Astronomia da
época como Almagesto de Ptolomeu e De Revolutionibus de Copérnico. Seu tio
morreu de pneumonia e ele ficou com sua herança e o prestígio que tinha junto
ao Rei Frederico II. Em 1566, foi estudar Astronomia na Universidade de
Wittenberg sendo apenas aluno ouvinte, no mesmo ano a peste negra assolou
Wittenberg forçando-o a ir para a Universidade de Rostock. Foi neste local que
Tycho brigou com um de seus colegas, propondo-lhe um duelo, onde neste acontecimento
teve seu nariz arrancado, sendo forçado a utilizar uma prótese de metal para o
resto de sua vida.
No ano de 1572 na Dinamarca, observando os céus
Brahe constatou uma nova estrela no céu, fato que refutava a idéia de
Aristóteles de um Universo imutável, no ano de 1573 ele publicou um livro sobre
o fato observado com o título “Sobre a
Nova Estrela Nunca Vista Antes”. No ano de 1576 ele já era famoso em toda
Europa, recebendo do rei Frederico II a posse da ilha Hven e muitos recursos
materiais para construir um castelo e um observatório. No seu castelo denominado
Uraniborg (Castelo dos céus), Tycho
além de se dedicar ao estudo do cosmo dava também festas luxuosas. Em 1572 a
observação de um cometa foi mais um abalo a teoria aristotélica de que o cosmo
era imutável, mesmo com tantas provas que o modelo de Aristóteles continha
falhas Tycho continuou com sua crença no modelo geocêntrico de Universo. Essa
crença permanecia, pois, ao analisar as paralaxes das estrelas em relação à
Terra pelo modelo de Copérnico se chegada a duas possíveis conclusões, ou que a
Terra não se movia, ou que o Universo deveria ser praticamente infinito. Assim
foi mais plausível considerar a primeira suposição. Em 1583, Tycho se inspirou
no modelo de Heráclito do Ponto, para criar seu próprio modelo, que consistia nos
planetas giravam em torno do Sol, e este sistema girava em volta da Terra.
Em 1588, morre o rei Frederico II, assumindo o
trono seu filho Cristiano IV, isto foi uma má coisa para Tycho, pois o novo
monarca não gostava de seu trabalho e nem de sua pessoa. Em 1597, depois de cartas
de intimidação escritas pelo rei, Tycho abandona sua ilha e sai pela Europa com
todos seus instrumentos astronômicos. Ele lançou um livro intitulado Instrumentos para a Astronomia Restaurada,
em 1599, com uma dedicatória para o imperador Rodolfo II, e no ano seguinte ele
foi convocado pelo mesmo para ser Matemático Imperial em Praga. Neste período,
Tycho tenta encaixar seus dados com seu modelo, todavia encontra dificuldades
principalmente com a órbita de Marte, assim ele contrata mais matemáticos para
lhe ajudar a resolver este problema, um desses novos matemáticos era Kepler.
Kepler acreditava inicialmente, que as órbitas dos
planetas se encaixavam segundo esferas dentro dos sólidos platônicos, para
testar sua teoria de Universo precisa de dados precisos, mas Tycho não abriria
mão de seus dados para testa outro modelo, a não ser o seu. A relação entre
estes dois personagens foi hostil, pois ambos apresentavam um temperamento
difícil. Após a morte de Tycho, em 1601, Kepler se apossou dos dados de Tycho
tentando provar seu modelo, no entanto não conseguiu. Sendo heliocêntrico,
Kepler utilizou os dados de Tycho para tentar provar o modelo de Copérnico,
porém a órbita de Marte ainda era um problema, porém isso foi corrigido
considerando as órbitas elípticas e não circulares.
As contribuições de Tycho Brahe foram grandes,
pois com os seus dados foi possível desenvolver a Astronomia, ainda que
esquecido pelos livros de ensino médio, seu mérito nunca será esquecido.
Para quem quiser conferir o artigo na integra é só realizar o download: Entrevisra com Tycho Brahe



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