Marcadores: ,

RESENHA DO ARTIGO: ENTREVISTA COM TYCHO BRAHE

Os livros de física do ensino médio muitas vezes contam a história da física de uma maneira distorcida e equivocada de modo que o aluno não compreende bem o ambiente histórico onde se desenvolve o fato físico estudado. A bibliografia de muitos nomes da física é esquecida deixando de lado a contribuição relevante que tal personagem desenvolveu no ramo desta ciência.
O artigo que trás como título “Entrevista com Tycho Brahe”, foi escrito em forma de diálogo, facilitando ao leitor a compreensão da história de um dos maiores nomes da astronomia, os seus trabalhos e suas medições precisas da posição dos corpos celestes, fizeram dele o responsável pelas bases das leis do movimento planetário, pois com a precisão de seus dados que foi possível estabelecer a mecânica celeste.
Todavia, nos livros de física do ensino médio este personagem é quase esquecido, e tratando-se de Astronomia o nome mais lembrado é o de Kepler, no entanto Kepler só foi capaz de desenvolver as leis da mecânica celeste devido aos dados de Brahe. O artigo foi escrito no ano de 2001, época que assinalara os 400 anos da morte de Tycho, nele nove professores tem a oportunidade de conversar com o falecido cientista, isto tudo ocorre em um bar na cidade de Natal, onde num fato inusitado um dos professores recebe o espírito de Tycho. Assim, a história deste grande homem é descrita de uma maneira didática e engraçada.
Tycho Brahe nasceu na Dinamarca, na cidade de Skania, no ano de 1546, sendo criado por seu tio. Aos sete anos foi para uma escola paroquial, estudar latim, e aos treze anos foi para a Universidade de Copenhague, indo estudar Direito e Filosofia. Neste período de sua vida ele pode presenciar um fenômeno que lhe intrigou bastante, um eclipse parcial do Sol.
Tycho tinha uma paixão pela Astrologia, e achava muito interessante o fato de certos movimentos celestes serem previsto com antecedência. Com dezessete anos foi para Universidade de Leipzig continuar seus estudos em Direito, mas seu interesse já estava voltado para os fenômenos celestes. Nesta época ele observou que Júpiter e Saturno passaram muito perto um do outro, todavia o que lhe incomodara era que todas as tabelas astronômicas cometiam erros significantes e isto causava atraso na previsão dos fatos astronômicos. Este fato se tornou uma das principais causas dele ter se tornado um grande físico experimental, pois ele queria corrigir os erros existentes destes dados. Assim ele começou a construir seus imensos e precisos equipamentos de medição da posição dos corpos celestes para corrigir as tabelas astronômicas da época.
Tycho teve acesso a grandes obras da Astronomia da época como Almagesto de Ptolomeu e De Revolutionibus de Copérnico. Seu tio morreu de pneumonia e ele ficou com sua herança e o prestígio que tinha junto ao Rei Frederico II. Em 1566, foi estudar Astronomia na Universidade de Wittenberg sendo apenas aluno ouvinte, no mesmo ano a peste negra assolou Wittenberg forçando-o a ir para a Universidade de Rostock. Foi neste local que Tycho brigou com um de seus colegas, propondo-lhe um duelo, onde neste acontecimento teve seu nariz arrancado, sendo forçado a utilizar uma prótese de metal para o resto de sua vida.
No ano de 1572 na Dinamarca, observando os céus Brahe constatou uma nova estrela no céu, fato que refutava a idéia de Aristóteles de um Universo imutável, no ano de 1573 ele publicou um livro sobre o fato observado com o título “Sobre a Nova Estrela Nunca Vista Antes”. No ano de 1576 ele já era famoso em toda Europa, recebendo do rei Frederico II a posse da ilha Hven e muitos recursos materiais para construir um castelo e um observatório. No seu castelo denominado Uraniborg (Castelo dos céus), Tycho além de se dedicar ao estudo do cosmo dava também festas luxuosas. Em 1572 a observação de um cometa foi mais um abalo a teoria aristotélica de que o cosmo era imutável, mesmo com tantas provas que o modelo de Aristóteles continha falhas Tycho continuou com sua crença no modelo geocêntrico de Universo. Essa crença permanecia, pois, ao analisar as paralaxes das estrelas em relação à Terra pelo modelo de Copérnico se chegada a duas possíveis conclusões, ou que a Terra não se movia, ou que o Universo deveria ser praticamente infinito. Assim foi mais plausível considerar a primeira suposição. Em 1583, Tycho se inspirou no modelo de Heráclito do Ponto, para criar seu próprio modelo, que consistia nos planetas giravam em torno do Sol, e este sistema girava em volta da Terra.
Em 1588, morre o rei Frederico II, assumindo o trono seu filho Cristiano IV, isto foi uma má coisa para Tycho, pois o novo monarca não gostava de seu trabalho e nem de sua pessoa. Em 1597, depois de cartas de intimidação escritas pelo rei, Tycho abandona sua ilha e sai pela Europa com todos seus instrumentos astronômicos. Ele lançou um livro intitulado Instrumentos para a Astronomia Restaurada, em 1599, com uma dedicatória para o imperador Rodolfo II, e no ano seguinte ele foi convocado pelo mesmo para ser Matemático Imperial em Praga. Neste período, Tycho tenta encaixar seus dados com seu modelo, todavia encontra dificuldades principalmente com a órbita de Marte, assim ele contrata mais matemáticos para lhe ajudar a resolver este problema, um desses novos matemáticos era Kepler.
Kepler acreditava inicialmente, que as órbitas dos planetas se encaixavam segundo esferas dentro dos sólidos platônicos, para testar sua teoria de Universo precisa de dados precisos, mas Tycho não abriria mão de seus dados para testa outro modelo, a não ser o seu. A relação entre estes dois personagens foi hostil, pois ambos apresentavam um temperamento difícil. Após a morte de Tycho, em 1601, Kepler se apossou dos dados de Tycho tentando provar seu modelo, no entanto não conseguiu. Sendo heliocêntrico, Kepler utilizou os dados de Tycho para tentar provar o modelo de Copérnico, porém a órbita de Marte ainda era um problema, porém isso foi corrigido considerando as órbitas elípticas e não circulares.

As contribuições de Tycho Brahe foram grandes, pois com os seus dados foi possível desenvolver a Astronomia, ainda que esquecido pelos livros de ensino médio, seu mérito nunca será esquecido.

Para quem quiser conferir o artigo na integra é só realizar o download: Entrevisra com Tycho Brahe

0 comentários:

Postar um comentário